quinta-feira, 19 de março de 2009

caçador

O caçador de borboletas - Álvaro Magalhães
Sorridente, ao nascer do dia,ele sai de casa com a sua rede.Vai caçar borboletas, mas fica presoà frescura do rio que lhe mata a sedeou ao encanto das flores do prado.Vê tanta beleza à sua volta que esquece a rede em qualquer ladoe antes de caçar já foi caçado.À noite, regressa a casa cansadoe estranhamente felizporque a sua caixa está vazia,mas diz sempre, suspirando:Que grande caçada e que belo dia!Antes de entrar, limpa as botasnum tapete de compridos pêlose sacode, distraído, as muitas borboletas de mil cores que lhe pousaram nos ombros, nos cabelos.
Álvaro Magalhães

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