terça-feira, 27 de abril de 2010

Amiga, nao me esqueci...

Aqui fica como prometido!!! o que nos riamos que nem umas doidas em cima daquele palco!!

Acocorava-me a um canto!!!!

Dez Réis de esperança


Se não fosse esta certeza que nem sei de onde vem,não comia, nem bebia,nem falava com ninguém.Acocorava-me a um canto,no mais escuro que houvesse,punha os joelhos à boca viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes do ingénuo adolescente,a chuva das pernas brancas cair impertinente,aquele incógnito rosto,pintado em tons de aguarela,que sonha no frio encosto da vidraça da janela,não fosse a imensa piedade dos homens que não cresceram,que ouviram, viram, ouviram,viram, e não perceberam,essas máscaras selectas,antologia do espanto,flores sem caule flutuando no pranto do desencanto,se não fosse a fome e a sede dessa humanidade exangue,roía as unhas e os dedos até os fazer em sangue.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Lembras-te???? lololololll

Hoje de manhã saí muito cedo
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Alberto Caeiro

Guardador de rebanhos "Alberto caeiro"

Sou um Guardador de Rebanhos
Sou um guardador de rebanhos. O rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são todos sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor Me sinto triste de gozá-lo tanto. E me deito ao comprido na erva, E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade, Sei a verdade e sou feliz.
Ha coisas que ficam para sempre...

Espelho....

Hoje, olhei-me no espelho e ali fiquei frente a frente com a minha imagem reflectida, sem dar conta abandonei-me e já não era Eu... não era o EU de hoje, do agora, deste presente, mas também não era o EU que me liga ao passado, nem tão pouco era o EU que me leva ao futuro, era um Outro EU, sem nome e sem memória e incapaz de fazer qualquer relação passado-presente... deixei-me ficar, e olhei o EU que me fintava com o olhar...olhei bem nos olhos tentando descodificar a mensagem ... de repente um raio de sol que teimava entrar pela janela do quarto beija-me nos olhos, esboço um sorriso, olho de novo no espelho, e descubro que o Outro EU sou EU também afinal!!!

A

O Pastor Amoroso
V

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo. Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar. Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. Todo eu sou qualquer força que me abandona. Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

VI

Passei toda a noite, sem saber dormir, vendo sem espaço a figura dela E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela. Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança. Amar é pensar. E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela. Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. Tenho uma grande distracção animada. Quando desejo encontrá-la, Quase que prefiro não a encontrar, Para não ter que a deixar depois. E prefiro pensar dela, porque dela como é tenho qualquer medo. Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só pensar ela. Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.